No princípio era eu

No princípio era eu.
E eu era feliz por acreditar que eu era tudo que existia. Daí eu olhei pro lado. Do lado tinham muitas coisas que eu não conhecia.
Do céu azul ensolarado até o raiar do meio dia.
Como se o meu mundo fechado representasse tudo que acontece.
Imagina, nem por prece eu poderia imaginar que posso sentir coisas tão singulares.
Coisas como amor.
Coisas como saudade.
E quem diria um dia que eu poderia encontrar em outra boca minha perdição? E quem diria que não?
Quem preveria em cartas de tarô ou em conchas vazias do mar que eu poderia amar? E que o amor seria de tal forma invasivo que tornaria tudo mais bonito. Que cobriria minha íris com uma lente mais clara, e simultaneamente mais densa, mais consistente.
Que me faria enxergar cores onde antes só via cinza e cinzas. Como se cinza fosse tudo que existe.
Que triste.
Mas não. Feito guerreiro de armadura, montado em cavalo forte, veio e me trouxe de brinde essa sorte.
Achei um norte.
Descobri que as vertentes do amor resplandecem no semblante dos verdadeiros.
Como espelho.
Você reflete quem é e recebe o que reflete.
Sem pressa.
Apenas direção.
Você aprende o valor do sim e do não.
Diferencia amigo e irmão.
Amor e paixão.
Eternidade e tesão.
Como tirania, revolução.
Você se entrega de peito aberto sem medo do calibre que virá.
Só voar.
E a liberdade se faz presente como mágica.
Experimenta, pelo menos uma vez, tirar a máscara.

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autor_kamila

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