Como está o tempo por aí?
Aqui anda nublado, alguns raios de um sol tímido rompem corajosamente as nuvens e tocam a terra.
Nada que esquente muito, nada que me faça passar protetor solar.
Como está aí?
Aqui anda calmo e tranquilo.
Feito mar antes da onda, feito céu durante o arco íris, feito cerveja gelada depois do futebol.
Como anda teu coração?
O meu anda leve, arrumado. Às vezes bate em ritmos musicais, às vezes descompassado.
Constante, forte, pronto.
Você está feliz?
Não felicidade a todo instante, aquela felicidade sorrateira, serena. Felicidade simples apenas por existir, felicidade que faz sorrir antes de dormir.
Você tem acordado com vontade de encarar o mundo ou de permanecer deitado?
O café tem sido amargo por falta de açúcar ou por falta de doçura ele tem sido amargo?
Conta pra mim, somos amigos além de tudo.
Me conta se você ainda lembra do meu sussurro, do meu cheiro, do gosto da minha língua.
Conta que você ainda vai me chamar de “minha” e eu vou sorrir com certeza de ter lugar no teu peito.
Diz pra mim que vai deixar o coração te guiar, te levar e te trazer novamente à vida.
Deixe que eu te ajude nessa batalha, nessa guerra travada contra ti mesmo, ainda no meio, nunca perdida.
Eu já entrei nos teus olhos e posso dizer sem pestanejar, sem duvidar, sem piscar, tem um lugar muito bonito te esperando entrar.
Te ofertando morada, manta colorida no sofá, Rubel no gramofone, xícara de chá. Eu quero segurar tua mão mais uma vez e te dizer baixinho, olhando nos teus olhos, que eu vou te proteger.
Não precisa temer.
A liberdade assusta no começo, mas depois do primeiro passo, do primeiro abraço, você alça voo.
Eu te ajudo a abrir as asas, eu te levo comigo para sentir a brisa acariciar teu rosto, pra soltar o peso desses amores que não amam, que só cobram e prendem.
Eu entendo teu medo, teu receio, tua aflição. Entendo a incapacidade de enxergar as grades invisíveis dessa prisão.
Eu não te cobro e não te julgo.
Só peço uma coisa, Coragem.
Pondera e aguça tua visão.
Agora você consegue ver com mais precisão?
Amor não é isso.
Amar também não.
Espero que se minha mão não despertar em ti o ímpeto para voar, não se demore aí.
Quanto mais tempo ficar, mais difícil de sair.
Eu quero te ver voar, eu quero te ver sorrir.

