estrategicamente perdido

Você nem sabe o que eu andei fazendo esses dias, mas usei todas as minhas estratégias militares, que aprimorei em partidas de WAR. Bolei diversos planos infalíveis, deixaria o Pica-Pau ou o Cebolinha rangendo os dentes de inveja. Tracei minuciosamente uma forma articulada pra fazer o acaso, cruzar mais uma vez os nossos corpos por estas noites geladas da capital. Raramente erro as minhas coordenadas, mas vou confessar que você é diferente. Ainda me faz sentir o frio na espinha, como se fosse meu primeiro combate.

Leio e releio o roteiro dos teus planos e dos teus passos, procurando de alguma forma encontrar o teu ponto fraco. É desesperador demais ficar procurando um ponto fraco do nosso ponto fraco. É como se a gente só quisesse uma desculpa pra dizer que acontece com todo mundo. Nessas horas eu começo buscar inspiração em estrategistas vitoriosos em suas conquistas. Eles tiveram tanto confrontos e os venceram de formas diferentes. Deve ser realmente incrível estar sempre um passo na frente do adversário.

Mas vez ou outra, eu me distraio, me desarmo e com a guarda aberta fico apenas admirando você se aproximar. Senta do meu lado e faz aquele mesmo discurso clichê, que eu já estou cansado de ouvir, mas sempre volto a comprar. Dou colo pra tua tristeza, trato a tua ferida e enxugo a tuas lágrimas. Sem que eu preste atenção, te envolvo e te protejo. Espanto teus fantasmas e a cubro com o pouco de paz que me sobra. Seu ponto fraco não sou eu, mas pela milésima vez eu te aliviei dele.

Não me formei em matemática pra ser a primeira pessoa que você pensa quando quer solucionar os teus problemas. É tão claro, tão direto. Você ainda prefere que eu te mostre o lado bonito do mundo de longe. Enquanto eu ensaio para que o acaso me ajude a te mostrar as maravilhas do mundo comigo ao lado. Até que chegamos na hora em que você levanta da minha cama e sai. Atende ao telefone e responde as tais mensagens. O motivo das lágrimas que eu enxuguei agora te faz sorrir. Parece uma comédia na sua programação. Mas no minha é um enorme drama.

Junto as minhas armas no chão e recolho as armaduras. Volto para um ponto inicial e juro pra mim que não vou nunca mais tentar dominar aquele terreno que tanto quero cuidar. Sento na poltrona rasgada. Ligo a TV e tento colocar a cabeça em qualquer lugar que não seja você. Certas coisas nunca vão mudar e como o nosso filme favorito, mesmo sabendo como ele vai acabar insistimos em assistir. Ainda choro na parte do adeus.

Enquanto isso, na minha casa,  você encosta a porta da sala,
nem preciso dizer que está chorando, né?

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autor_jorge

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